Ação em escola de Extremoz está no Banco de Práticas Inspiradoras do MEC

Em um acervo de práticas inspiradoras realizadas por professores da rede pública de ensino em todo o país está o trabalho desenvolvido pelo professor João Paulo Vicente, que leciona no Centro Infantil Estrela do Mar, em Extremoz. Ele usa as aulas de Educação Física para inserir estudante com paralisia cerebral no processo pedagógico.

O objetivo do Banco de Práticas Inspiradoras do MEC é promover uma reflexão mais ampla sobre o papel dos professores, inspirar os docentes a desenvolverem práticas inovadoras e ajudá-los na implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). As práticas relatadas na plataforma do MEC foram desenvolvidas por professores finalistas do Prêmio Professores do Brasil 2017.

O estudante é Renner Luís, de apenas 15 anos. Cadeirante, Renner chegou ao Centro Infantil em 2017 para a turma do 5º ano. Diagnosticado com paralisia cerebral, praticamente não interagia com professores e funcionários da escola nem com os colegas. O professor João Paulo tomou para si o desafio e iniciou um trabalho de educação física com o objetivo de integrar o novo aluno.

Como estratégia inicial, o professor passou a promover brincadeiras e jogos cooperativos com a participação de Renner. Com o interesse do aluno aumentando cada vez mais, Depois de uma longa pesquisa João Paulo apresentou ao estudante as regras da bocha adaptada, modalidade paralímpica, em que o principal objetivo é deixar as bolas arremessadas mais próximas à bola-alvo, superando o adversário.

RESULTADOS

Estudante Renner Luís (15 anos) em competição de bocha paralímpica

O treinamento escolar resultou na medalha de terceiro lugar em bocha adaptada nos Jogos Abertos Paralímpicos do Rio Grande do Norte, em agosto do ano passado. A conquista deu mais vigor e autoestima a Renner, que passou a ser cada vez mais elogiado pela boa performance esportiva.

“A partir daí, Renner começou a desenvolver as atividades junto com a turma com um resultado surpreendente. Foi tão significativo o desenvolvimento dele dentro do esporte que a gente começou a inscrevê-lo nas competições”, relata João Paulo.

Com o resultado obtido Na competição estadual, Renner foi convidado a disputar, no final do ano passado, as Paralimpíadas Escolares, evento organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro. Ficou em quinto lugar, em uma chave com 16 atletas.

O trabalho realizado e a repercussão do projeto tornou a escola referência em educação inclusiva, o que gerou mais procura de alunos com deficiência nas classes comuns do ensino regular. Com isso, a prática desenvolvida com Renner foi expandida para toda a rede municipal, com o objetivo de incluir crianças com deficiência por meio do esporte.

“O mais relevante de tudo isso foi a interação social e a quebra do preconceito”, diz o professor João Paulo. “Foi ver pessoas da comunidade escolar que mantinham certa distância depois desejarem interação e envolvimento com esse jovem”, conclui o professor.

 

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